segunda-feira, 12 de abril de 2010

jardim de verão


Quero ver as rosas nesse jardim único
onde uma grade se ergue sem igual,
onde as estátuas me recordo jovem
e delas me lembro sob as águas do Nevá.

Das tílias no silêncio perfumado
imagino o rangido dos mastros dos navios,
e o cisne, como antes,voga através dos séculos,
admirando o esplendor de sua imagem.

Lá para sempre os passos se calaram,
amados ,odiados,odiados ou amados.
E o desfilar das sombras não tem fim,
do vaso de granito ao portal do palácio.

Lá minhas noites em claro murmuram bem baixinho
cantando um amor secreto ,misterioso.
Jade e madrepérola em tudo se irradiam,
mas a secreta fonte de luz fica escondida.
9/7/1959 Leningrado

[Anna Akhmátova-Antologia Poética]

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