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quarta-feira, 14 de março de 2012



"De repente, intrometem-se uns nacos de sonhos; Uma
remembrança de mil novecentos e onze;
Um rosto de moça cuspido no capim de borco; Um
cheiro de magnólias secas. O poeta procura compor
esse inconsútil jorro; Arrumá-lo num poema; e o
faz. E ao cabo Reluz com a sua obra. Que
aconteceu? Isto: O homem não se desvendou, nem foi
atingido: Na zona onde repousa em limos
Aquele rosto cuspido e aquele
Seco perfume de magnólias,
Fez-se um silêncio branco...
E, aquele
Que não morou nunca em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas
Não foi marcado. Não será marcado. Nunca será
exposto Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao
poema."

Manoel de Barros

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

das insignificâncias

"A poesia está guardada nas palavras
é tudo o que eu sei.
Meu fado é de não entender quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não cultivo conexões com o real.
Para mim poderoso não é aquele
Que descobre ouro.
Poderoso para mim é aquele que
Descobre as insignificâncias:
do mundo e as nossas.
Por essa pequena sentença
me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios".
[Manoel de Barros]