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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012



"ela despe-se no paraíso
da sua memória
ela desconhece o destino feroz
das suas visões
ela tem medo de não saber nomear
o que não existe"

Alejandra Pizarnik

segunda-feira, 28 de novembro de 2011



"construíste a tua casa
emplumaste os teus pássaros
golpeaste o vento
com os teus próprios ossos

acabaste sozinha
o que ninguém começou"

Alejandra Pizarnik

quinta-feira, 14 de abril de 2011

...diz que não sabe



"diz que não sabe do medo da morte do amor
diz que tem medo da morte do amor
diz que o amor é morte é medo
diz que a morte é medo é amor

DIZ QUE NÃO SABE "

Alejandra Pizarnik

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

nomear-te...



" Não o poema da tua ausência,
somente o esboço, uma fissura num muro,
algo no vento, um sabor amargo."

Alejandra Pizarnik
imagem - gettyimage

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

e haverá um tempo...



" e haverá um tempo para amar e outro para encontrar as distâncias esquecidas. Sim. Alguma vez. Quando os rostos dos outros não me derem a medida exata da solidão. "

Alejandra Pizarnik

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

zona proibida



" para lá de qualquer zona proibida
há um espelho para a nossa triste transparência "


Alejandra Pizarnik

caminhos do espelho



E sobretudo olhar com incidência. Como se nada se passasse, o que é certo.
Mas a ti quero olhar-te até estares longe do meu medo, como um pássaro no limite afiado da noite.
Como uma menina de giz cor-de-rosa num muro muito velho subitamente esbatido pela chuva.
Como quando se abre uma flor e se revela o coração que não tem.
Todos os gestos do meu corpo e voz para fazer de mim a oferenda, o ramo que o vento abandona no umbral.
Cobre a memória da tua cara com a máscara daquela que serás e afugenta a menina que foste.
A nossa noite dispersou-se com a neblina. É a estação dos alimentos fritos
E a sede, a minha memória é de sede, eu em baixo, no fundo, no poço, bebia, recordo.
Cair como um animal ferido no lugar de hipotéticas revelações.
Como quem não quer a coisa. Nenhuma coisa. Boca cosida. Pálpebras cosidas. Esqueci-me. Dentro o vento. Tudo fechado e o vento dentro.
Sob o negro sol do silêncio douravam-se as palavras.
Mas o silêncio é certo. Por isso escrevo. Estou só e escrevo. Não, não estou só. Ha alguem aqui que treme.
Ainda que diga sol e lua e estrelas refiro-me a coisas que me acontecem.
E o que desejava eu?
Desejava um silêncio perfeito
Por isso falo.
A noite parece um grito de lobo.
Delícia de perder-se na imagem pressentida. Levantei-me do meu cadáver, fui á procura de quem sou. Peregrina, avancei em direção àquela que dorme num país ao vento.
A minha queda sem fim na minha queda sem fim onde inguém me esperava pois ao descobrir quem me esperava outra não vi senão a mim mesma.
Algo cai no silêncio. A minha palavra foi eu embora me referisse à aurora luminosa.
Flores amarelas constelam um círculo de terra azul. A água treme cheia de vento.
Deslumbramento do dia, pássaros na manhã. Uma mão desata as trevas, arasta a cabeleira da afogada que não cessa de passar pelo espelho. Volto à memória do corpo, hei-de regressar aos meus ossos de luto, hei-de compreender o que a minha voz diz.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

o lugar da ferida



" Tu escolhes o lugar da ferida
onde emitimos nosso silêncio.
Tu fazes da minha vida
esta cerimônia demasiada pura."


Alejandra Pizarnik
imagem-Esther S.

deveria ter asas

segunda-feira, 5 de julho de 2010

e ainda me atrevo...



Alejandra Pizarnik
imagem Zina Vasileva

segunda-feira, 7 de junho de 2010

não,as palavras



não,
as palavras
não fazem amor
fazem ausência
Se digo água, beberei ?
Se digo pão, comerei ?

Alejandra Pizarnik
imagem-Joan Kocak

quarta-feira, 10 de março de 2010

A jaula



Lá fora faz sol.
Nada além de um sol
mas os homens o olham
e depois cantam.

Nada sei do sol.
Sei da melodia do anjo
e do sermão quente
do último vento.
Sei gritar até a aurora
quando a morte pousa nua
em minha sombra.

Choro sob meu nome.
Agito lenços na noite
e barcos sedentos de realidade
dançam comigo.

Escondo pregos
para zombar de meus sonhos doentes.

Lá fora faz sol.
Eu me cubro de cinzas.

Alejandra Pizarnik
fonte:Estadão.com.br