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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quinta-feira, 14 de abril de 2011
...diz que não sabe
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
nomear-te...
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
e haverá um tempo...
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
zona proibida
caminhos do espelho

E sobretudo olhar com incidência. Como se nada se passasse, o que é certo.
Mas a ti quero olhar-te até estares longe do meu medo, como um pássaro no limite afiado da noite.
Como uma menina de giz cor-de-rosa num muro muito velho subitamente esbatido pela chuva.
Como quando se abre uma flor e se revela o coração que não tem.
Todos os gestos do meu corpo e voz para fazer de mim a oferenda, o ramo que o vento abandona no umbral.
Cobre a memória da tua cara com a máscara daquela que serás e afugenta a menina que foste.
A nossa noite dispersou-se com a neblina. É a estação dos alimentos fritos
E a sede, a minha memória é de sede, eu em baixo, no fundo, no poço, bebia, recordo.
Cair como um animal ferido no lugar de hipotéticas revelações.
Como quem não quer a coisa. Nenhuma coisa. Boca cosida. Pálpebras cosidas. Esqueci-me. Dentro o vento. Tudo fechado e o vento dentro.
Sob o negro sol do silêncio douravam-se as palavras.
Mas o silêncio é certo. Por isso escrevo. Estou só e escrevo. Não, não estou só. Ha alguem aqui que treme.
Ainda que diga sol e lua e estrelas refiro-me a coisas que me acontecem.
E o que desejava eu?
Desejava um silêncio perfeito
Por isso falo.
A noite parece um grito de lobo.
Delícia de perder-se na imagem pressentida. Levantei-me do meu cadáver, fui á procura de quem sou. Peregrina, avancei em direção àquela que dorme num país ao vento.
A minha queda sem fim na minha queda sem fim onde inguém me esperava pois ao descobrir quem me esperava outra não vi senão a mim mesma.
Algo cai no silêncio. A minha palavra foi eu embora me referisse à aurora luminosa.
Flores amarelas constelam um círculo de terra azul. A água treme cheia de vento.
Deslumbramento do dia, pássaros na manhã. Uma mão desata as trevas, arasta a cabeleira da afogada que não cessa de passar pelo espelho. Volto à memória do corpo, hei-de regressar aos meus ossos de luto, hei-de compreender o que a minha voz diz.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
o lugar da ferida
segunda-feira, 5 de julho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
não,as palavras
quarta-feira, 10 de março de 2010
A jaula

Lá fora faz sol.
Nada além de um sol
mas os homens o olham
e depois cantam.
Nada sei do sol.
Sei da melodia do anjo
e do sermão quente
do último vento.
Sei gritar até a aurora
quando a morte pousa nua
em minha sombra.
Choro sob meu nome.
Agito lenços na noite
e barcos sedentos de realidade
dançam comigo.
Escondo pregos
para zombar de meus sonhos doentes.
Lá fora faz sol.
Eu me cubro de cinzas.
Alejandra Pizarnik
fonte:Estadão.com.br
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