sexta-feira, 30 de abril de 2010
Friedrich Nietzsche/Polina Seminova
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos
por aqueles que não podiam escutar a música."
Friedrich Nietzsche
quinta-feira, 29 de abril de 2010
meu amor é assim...
"Meu amor é assim, sem nenhum pudor.
Quando aperta eu grito da janela
- ouve quem estiver passando -
ô fulano, vem depressa.
Tem urgência, medo de encanto quebrado,
é duro como osso duro.
Ideal eu tenho de amar como quem diz coisas:
quero é dormir com você, alisar seu cabelo,
espremer de suas costas as montanhas pequenininhas
de matéria branca. Por hora dou é grito e susto.
Pouca gente gosta."
[Adélia Prado-Bagagem]
quarta-feira, 28 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
"Quando eu era mais nova eu vi meu pai
Chorar e amaldiçoar o vento
Ele quebrou seu próprio coração e
Eu assisti enquanto ele tentava remontá-lo
E minha mãe jurou que jamais
Se deixaria esquecer
E esse foi o dia que eu prometi
Nunca cantar sobre o amor se ele não existisse,
Mas querido...
Você é a única exceção"...
[trecho da tradução:Paramore - The Only Exception ]
apesar da sede

"Tudo podia ser mais simples.Mas a infância
fica tão longe e os espelhos começaram a
gritar-me uma inocência que deixou de ser
minha para sempre.O que quero dizer
acompanha, devagar,o movimento do sol.
E são cada vez mais lentos os passos que
me levam na direcção das nascentes.
Apesar da sede."
Graça Pires-
uma extensa mancha de sonhos
estende a tua mão...
segunda-feira, 26 de abril de 2010
e de repente...
o tempo todo
sábado, 24 de abril de 2010
se te cansares de mim
"se te cansares de mim, não me peças que
chore. deixa-me secar lentamente como
pelo tempo, mais me custará, porque mais
lento verterei a alma para a morte. no entanto
dá-me esperança de que não partirás,
aguardo-te muito quieto, muito quieto
para não atrapalhar os teus planos como quem
não quer assustar a caça. mas sou a presa,
eu sei que sou a presa. e tu podes vir reclamar-me
o couro com toda a violência, já não me importo"
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Um dia...
quinta-feira, 22 de abril de 2010
a identidade...

"A identidade, como a pele, renova-se,
perde-se de sete em sete anos,
muda no mesmo corpo, torna
diferente a permanência humana.
A identidade é a soma das intenções,
uma foto instantânea para um propósito
imediato que não dura.
A identidade é um equívoco
para camuflar o coração."
[Pedro Mexia-Duplo Império]
quarta-feira, 21 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
uma voz na pedra

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores
e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
domingo, 18 de abril de 2010
dedos e dedos

voa comigo nos ombros da noite
enlaçados como dedos e dedos
na ternura completa das mãos.
inventemos asas até que nos
tenham como irmãos os pássaros
e as crianças nos persigam
pelo areal - o voo que é delas também.
acredita que o nosso olhar tocará um dia
o horizonte com tal força que a nossa palavra
ficará redonda, redonda como os ombros
desta noite em que te convido a descobrires
comigo o amor enorme que a maré nos tem
quando nos cobre os pés e nos obriga a nascer
sexta-feira, 16 de abril de 2010
a mão...

a mão e seus extremos
um dedo para a aliança,outro para a masturbação
um dedo para pintar as unhas,outro para exigir
explicação
a mão e sua utilidade no escuro
para segurar no cinema ,a mão
para selar um trato,a mão
a mão que benze
a mão que empurra
a mão que toca
a mão que surra
duas
uma para segurar a lata,outra para abri-la
uma para erguer um peso,outra para erguer outro
a mão que segura o prato e a outra que enxuga
DUAS
AS PRIMEIRAS QUE ENVELHECEM
[Martha Medeiros- cartas extraviadas]
quinta-feira, 15 de abril de 2010
noite do amor insone

Noite acima os dois com lua cheia,
eu me pus a chorar, e tu rias.
Teu desdém era um deus,as queixas minhas
momentos e pombos em cadeia.
Noite abaixo os dois,Cristal de pena,
choravas tú por fundas distâncias.
Minha dor era um grupo de agonias
sobre teu débil coração de areia.
Federico García Lorca-Antologia Poética
tradução-William Agel de Mello
nenhuma das cartas
quarta-feira, 14 de abril de 2010
meu ser evaporei na vida insana

Meu ser evaporei na vida insana
Do tropel de paixões,que me arrastava.
Ah! Cego eu cria,ah!Mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.
[...]
Prazeres,sócios meus e meus tiranos!
Essa alma que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus, ó Deus!...Quando a morte à luz me roube
Ganhe um momento o que perderam anos,
SAIBA MORRER O QUE VIVER NÃO SOUBE.
[Manuel du Bocage- Sonetos]
as mulheres aspiram a casa para dentro...

As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos
– digo,
As mulheres – ainda que as casas apresentem
os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.
É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas
Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos – no pescoço das mães
– ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos
As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.
terça-feira, 13 de abril de 2010
lento flui o Don silencioso...
dentro de cada ser há um segredo

Para N.V.N.
Dentro de cada ser há um SEGREDO
a que nem a Paixão consegue acesso,
inda que os lábios fundam-se num beijo
e o coração de amor se despedace.
Os anos e a amizade incapazes
são de obter a ventura calcinante,
quando a ALMA LIBERTA é estrangeira
à lenta lassidão voluptuosa.
Os que a procuram já são quase loucos.
Os que a alcançam,mata-os a tristeza...
Agora tu entenderás porque
meu coração não pulsa em tuas mãos.
1915-Petersburgo
[dedicado a seu amigo, o poeta crítico
Nikolái Niedobrovô]
primeira canção

O mistério de um não encontro
tem desolados triunfos:
frases não ditas,
palavras silenciadas,
olhares que não se cruzaram
nem souberam onde repousar-
só as lágrimas se alegram
por poderem livremente correr.
um roseiral perto de Moscou
-ai meu Deus!-teve tanto a ver com tudo isso...
E a tudo isso chamaremos
de AMOR IMORTAL.
1956
[Anna Akhmátova-Antologia Poética]
primeiro aviso

De que nos importa
que tudo volte ao pó ?
Sobre tantos abismos cantei,
em tantos espelhos vivi.
Não sou nem o Sonho nem o Consolo
e menos ainda o Paraiso.
Talvez, mais do que o necessário,
te aconteça de relembrar
o sussurro destes versos que se acalma
e este olhar que oculta, bem lá no fundo,
no tremor do seu silêncio,
uma coroa de enferrujados espinhos.
6/7/1963 - Moscou
[Anna Akhmátova-Antologia Poética]
segunda-feira, 12 de abril de 2010
jardim de verão

Quero ver as rosas nesse jardim único
onde uma grade se ergue sem igual,
onde as estátuas me recordo jovem
e delas me lembro sob as águas do Nevá.
Das tílias no silêncio perfumado
imagino o rangido dos mastros dos navios,
e o cisne, como antes,voga através dos séculos,
admirando o esplendor de sua imagem.
Lá para sempre os passos se calaram,
amados ,odiados,odiados ou amados.
E o desfilar das sombras não tem fim,
do vaso de granito ao portal do palácio.
Lá minhas noites em claro murmuram bem baixinho
cantando um amor secreto ,misterioso.
Jade e madrepérola em tudo se irradiam,
mas a secreta fonte de luz fica escondida.
9/7/1959 Leningrado
[Anna Akhmátova-Antologia Poética]
domingo, 11 de abril de 2010
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