quinta-feira, 17 de junho de 2010

o peso dos livros



Pensava que os livros não têm peso. Quero dizer, flutuam
no entendimento.Na memória. Ou melhor:
equilibram-se porque não são gente.
Não têm noites, não têm insónias. Não têm sono lá dentro.

Pensava que os livros são menos complexos do que nós.
Mesmo quando não temos linha, quando não temos palavra.
Mesmo quando não conseguimos respirar. Quando pensei nisso,
tive uma vaga noção de título.
E um hálito branco a querer ser página

[Filipa Leal-o problema de ser norte]

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